Cristo liberta!

Cristo, durante três anos, foi procurado como malfeitor pelo “esquadrão da morte” da época. Cristo, marcado como malfeitor, porque tudo o que fazia era bem feito… Cristo, assinalado como malfeitor, porque era procurado pelos simples, pelos doentes, pelos leprosos, pelos cegos, pelos mudos, pelos pobres, pelos marginalizados: marginalizados pela sociedade da época, pelos homens fiéis à lei da época. Cristo, o criminoso, o malfeitor, porque ensinou a amar também o inimigo, porque ensinou rezar o “Pai-nosso”, porque falou contra o desquite, porque falou contra o divórcio, porque proibiu os juramentos, porque proibiu fazer propaganda da caridade, porque proibiu acumular riqueza, porque proibiu julgar os outros, porque fez o bem em dia de sábado, falou contra as tradições humanas, acusou os mestres e fariseus, da época, de hipócritas, da geração prostituta, de fingidos, de cegos. Cristo, o malfeitor, porque foi profeta da denúncia, porque foi sincero. Era preciso que Cristo morresse, pra que houvesse mais tranqüilidade… Há três anos não havia paz na vida dos grandes, dos tranqüilos. Era preciso que ele morresse para que a cidade ficasse limpa: limpa dos cegos, dos mudos, limpa dos pecadores públicos dos analfabetos, das crianças, dos incômodos. Era preciso que ele morresse em nome da Lei, em nome do Templo, em nome dos romanos, em nome da “paz”… Cristo continua sendo procurado, marcado, Cristo continua incomodando, o evangelho continua incomodando, o bem continua incomodando, a verdade continua incomodando… por isso, o homem continua fazendo guerra contra os valores, contra o amor, a paz, a verdade, guerra contra a vida. E Cristo é condenado a morrer nessa guerra… Cristo continua na “lista negra”, continua marcado para morrer; continua morrendo em nome da tranqüilidade, da limpeza pública, do progresso, do desenvolvimento, do comércio e da cultura. Em nome da arte, da mentalidade moderna e até em nome da paz. Aquele que incomoda, deve ser afastado. Aquele que é peso para a sociedade, deve ser destruído. Aquele que pensa diferente, precisa ser afastado. O velho doente e inútil precisa ser encostado. A criança que vai incomodar a vida precisa morrer antes de nascer. A criança que não pode pagar deve ser afastada da escola. O casamento que exige renúncia deve ser destruído em nome do “amor”. A empregada que não for sensual deve ser despedida. O pai de muitos filhos deve ser afastado do emprego. O doente que não tiver os papéis em dia não deve ser atendido. E Cristo continua “marcado” para morrer, continua morrendo em nossas ruas, nas estradas e nos campos da África, do Oriente Médio, da América Latina, em nossas estradas, em nossos campos, nas fábricas, nas oficinas, nas famílias, aqui e agora… Pouco mudou. Nada mudou… Quando Cristo nasceu não havia lugar para ele nascer, quando morreu, não havia lugar para ser sepultado. Cristo precisava ser sepultado, sua figura desfigurada na cruz, iria atrapalhar o brilho das festas de Páscoa. Pouco mudou… Nada mudou… O Cristo que morre em nosso meio ainda não encontra lugar. A filha que se perdeu não encontra sua família para ficar. A criança solta nas ruas não encontra um patronato. A criança de mãe solteira não encontra o pai que a gerou. O pai de muitos filhos não encontra serviço. A mulher perdida não encontra uma amizade… A mulher que deixou uma família não encontra o marido que havia sonhado. O rapaz que deixou uma família não encontra a mulher que esperava. Aquele que errou, que pecou não encontra um coração que perdoa. Para os cristos que morrem em nosso meio não há casa, não há cama, não há mesa, não há corações… Os homens pensaram acabar com Cristo, chegaram a matá-lo. Para eles, Cristo estava morto. Veio morrer para vencer, para conquistar, para salvar, para libertar. Veio morrer para dar a VIDA. A morte era sua vocação para sua missão de Libertador. Não é quem mata que vence, quem morre é que vence: “Se o grão de trigo não morrer, não poderá dar fruto…” Não é quem persegue que vence, o perseguido é que vence. O ódio não vence. A vingança não vence. A renúncia é que vence. O fraco odeia, vinga, persegue e mata. O forte assume a morte, vence. E Cristo venceu, Cristo ressuscitou. Cristo fez sua Páscoa. Cristo é, ontem e hoje, nossa ESPERANÇA! Nosso LIBERTADOR!

(Pe. Euler P. de Campos)

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